Crítica do Álbum “The Other Side” de Seu Jorge

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No fim dos anos 2000, quando ainda colhia os frutos do bem-sucedido América Brasil (2007), trabalho que revelou sucessos como Burguesinha e Mina do Condomínio, Seu Jorge decidiu investir em uma abordagem diferente.

Longe da euforia do samba-rock que vinha testando desde os tempos na banda Farofa Carioca, o músico, em parceria com o produtor Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Marcelo D2), começou a desacelerar.

O que o artista não poderia prever é que essa ausência de pressa faria com que o disco levasse anos até ser revelado ao público. Além da produção compassada, que contou com arranjos assinados por Miguel Atwood-Ferguson, o trabalho, previsto para o fim da década passada, teve seu lançamento postergado por conta do avanço da pandemia de Covid-19.

O músico ainda engatou em outro projeto, o ainda recente Baile à la Baiana (2025), entregando The Other Side somente agora, mais de 15 anos após o início das gravações.

E a espera valeu a pena. Ainda que a voz do artista pareça oscilar, revelando sinais claros da passagem do tempo ao longo do processo de produção da obra, o capricho na construção dos arranjos e na escolha do repertório surpreende a todo momento.

A Estrutura do Álbum

Descrito pelo cantor como uma obra de intérprete, The Other Side não apenas evidencia esse “outro lado” do músico fluminense, como escancara a imponência de Seu Jorge.

Com Crença, de Milton Nascimento e Márcio Borges, como música de abertura, o artista apresenta todos os elementos que serão explorados ao longo do disco.

Momentos de Fragilidade

Os momentos de maior fragilidade do álbum acabam se revelando justamente nas canções mais reducionistas do disco, como River Man, ao lado do californiano Beck.

Entretanto, o “defeito” aqui não está na queda de qualidade do material, mas na superioridade explícita nas composições de vívida grandeza.

 

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Colaborações e Destaques

Em Vento de Maio, por exemplo, é a delicadeza na elaboração dos arranjos e os respiros que antecedem a chegada das vozes imponentes de Seu Jorge em contraste com a suavidade de Maria Rita.

Já em Quando Chego, junto de Marisa Monte, são os elementos percussivos que invadem o samba marcado pela maciez dos vocais e gradativa inserção dos instrumentos. Nada que prepara o ouvinte para a chegada de Caboclo.

Nunca antes regravada, a canção que inaugura o cultuado disco de estreia de Arthur Verocai não apenas rivaliza em beleza com a versão original, como transcende.

Entre batidas calculadas, arranjos de cordas e guitarras psicodélicas, Seu Jorge projeta a própria voz com uma grandeza e entrega nunca antes percebida em seus outros trabalhos.

É como um triunfo do tempo em seus mais variados aspectos, conceito que vai do longo período de produção ao domínio criativo acumulado pelo artista em quase três décadas de carreira.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

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