O terceiro disco de inéditas de Yaya Bey em um intervalo de três anos, ‘Fidelity’ (2026, Drink Sum Wtr), demonstra que a artista norte-americana está longe de se repetir criativamente. Após atravessar os confessionais ‘Ten Fold’ (2024) e ‘Do It Afraid’ (2025), a cantora e compositora do Queens retorna com um álbum que preserva a essência dos registros anteriores sem deixar de incorporar novos elementos em estúdio.
Exploração Rítmica e Criativa
Parte desse resultado vem do andamento rítmico dado ao material. Diferente dos dois últimos trabalhos de estúdio, que se aprofundavam na relação com o R&B e o rap de maneira tradicional, Bey se concentra em ampliar seus próprios horizontes. As composições passeiam por diferentes estilos, ritmos e possibilidades sem jamais perder o controle ou corromper a identidade criativa da cantora.
Transições de Estilo
Em ‘The Great Migration’, por exemplo, a cantora transita entre o jazz e o drum and bass com elegância. Já em ‘Higher’, o neo-soul se projeta de forma quase psicodélica, levando o trabalho para outras direções. Composições como ‘Egyptian Musk’ mostram sua aventura pelo reggae de maneira autoral, abrindo passagem para a colaboração com o artista jamaicano Nesta.
Colaborações e Destaques
Outro elemento característico de ‘Fidelity’ é o diálogo com novos parceiros criativos. Logo no começo do álbum, em ‘Me and Mine’, Bey abre passagem para as vozes de Samantha G. e Anastasia Antoinette, indicando o aspecto colaborativo do disco. Nomes como o cantor Deem Spencer, em ‘Slot Machines’, e Exaktly, em ‘Simp Daddy Line Dance’, ampliam os limites do trabalho.
Momentos Solo
Embora repleto de participações especiais, prevalecem nas canções assumidas unicamente pela cantora alguns dos melhores momentos do disco. É o caso de ‘Forty Days’, que destaca o R&B inebriante da artista e dialoga com a obra de veteranas como Sade. Em ‘Blue’, a sutil mudança de ritmo e o minimalismo chamam a atenção, revelando a capacidade de Bey em fazer muito com pouco.
Desafios e Fragilidades
Essa abrangência de estilos e o esforço em explorar novos caminhos servem tanto como alavanca criativa quanto um elemento de desestabilização do álbum. Assim como no disco anterior, Bey tende aos excessos, com faixas como ‘The Breakdown’ e ‘Freeze Flight Fawn’ que acabam se perdendo pelo trabalho. Um exercício revigorante e repleto de boas canções, ainda que pontuado por momentos de maior fragilidade.
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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

Leonardo Menezes é engenheiro civil, músico registrado em associação de músicos, produtor musical e fundador do Music Bowl Idea. Com experiência em arranjos, mixagem e soluções digitais, atua com foco em artistas independentes. Une técnica, sensibilidade e inovação para transformar ideias musicais em projetos acessíveis e profissionais.

