Crítica do Álbum ‘In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music’ de Dagmar Zuniga

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Originalmente lançado no YouTube, em janeiro do último ano, e reeditado agora pelo selo britânico AD 93, ‘In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music’ é uma obra que parece dançar pelo tempo. Estreia da cantora e compositora nova-iorquina Dagmar Zuniga, o registro gravado em fita cassete, em um Tascam 424, destaca a capacidade da artista em criar um álbum marcado pelo caráter atmosférico.

Uma Experiência Musical Singular

São pouco menos de 30 minutos em que a cantora, sempre rodeada por diferentes colaboradores, parte de um violão e ambientações acústicas para revelar ao público um disco tão atual quanto nostálgico. Canções que evocam a obra de artistas como Vashti Bunnyan e Karen Dalton, mas em nenhum momento ocultam a sensibilidade poética e entrega da compositora que encantou músicos como Phil Elverum (Mount Eerie).

Processo de Criação e Influências

Parte desse resultado vem do próprio processo de criação do trabalho. Gravado em um intervalo de cinco anos, entre 2019 e 2024, ‘In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music’ é uma dessas obras que se revelam aos poucos, sem pressa. São movimentos calculados de violão que se completam pela inserção de outros instrumentos ocasionais, destacando a sensibilidade da musicista ao longo do material.

Faixas e Experimentação

A própria escolha de ‘Even God Gets Stuck In Devotion’ como faixa de abertura torna isso bastante evidente. Enquanto os ruídos da captação caseira servem de base para a composição, o violão melancólico, as vozes dobradas e a flauta ocasional funcionam como elementos contrastantes. Canções essencialmente curtas, como ‘Garden’, ‘Her Master’s Voice’ e ‘Plenty (For All of Life’s Messes)’, destacam o refinamento da artista.

Zuniga aproveita ainda para experimentar. Em ‘LN60: Jupiter opposite Jupiter’, por exemplo, são teclados e ambientações sujas que se arrastam em uma base drone, lembrando as criações de nomes como Grouper. Já em ‘Photography the Hard Way’, a voz submersa abre passagem para as batidas e os teclados melódicos de Hayes Hoey, proposta que rompe com o folk psicodélico dos anos 1970, base para o trabalho da cantora.

Conclusão

É como se cada faixa abrisse passagem para um novo território criativo, proposta que fragiliza a estrutura do material, porém engrandece o caráter exploratório da musicista. Concebido e lançado por Zuniga sem grandes pretensões, o trabalho destaca a capacidade da cantora em fazer muito com pouco. Um misto de contenção e descoberta que destaca o caráter singular da musicista durante toda a execução do trabalho.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

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