Se existe uma pessoa que tem autorização para brincar com o repertório de Dorival Caymmi, esse alguém é Alice Caymmi. Desde a estreia, quando trouxe contornos sombrios a Sargaço Mar, a cantora carioca tem buscado diferentes possibilidades para mergulhar na obra do próprio avô, proposta que ganha outro significado em Caymmi (2026, Daluz Música), disco totalmente dedicado às canções do compositor baiano.
Uma Atualização da Obra de Caymmi
Com produção assinada por Iuri Rio Branco (Marina Sena, Don L), o registro atualiza a obra de Caymmi da mesma forma que Gal Costa propôs cinco décadas antes com Gal Canta Caymmi (1976). As composições escolhidas preservam as temáticas marítimas, as personagens românticas e a religiosidade do compositor baiano, mas partindo de uma linguagem e identidade estética que dialoga com o pop atual.
Ritmos Latinos e Influências Eletrônicas
Alice decidiu mirar nos ritmos latinos e no acabamento eletrônico das faixas, aproximando-se de cantoras como Melly e Marina Sena, sem necessariamente corromper sua identidade. Um exemplo é Maracangalha, que dialoga com a música afro-caribenha, destacando a inserção de metais, guitarras radiantes e componentes percussivos.
Reinterpretações Marcantes
A escolha de O que é que a baiana tem? como música de abertura do disco sintetiza essa proposta de inovação. A canção, uma das mais icônicas do repertório de Caymmi, ganha um novo tratamento que cria uma conexão entre o pagodão baiano e o reggae. Essa relação com os ritmos jamaicanos se repete em Eu não tenho onde morar, que brinca com o dub, abandonando o samba da versão original.
Equilíbrio entre Experimentação e Tradição
Embora explore novas sonoridades, Alice mantém o controle da própria criação, evitando excessos. Faixas como Dora e O Bem do Mar destacam a força de suas vozes, enquanto Canto de Obá celebra a família e Acalanto apresenta um momento de maior experimentação, parecendo saída diretamente do repertório de Rainha dos Raios (2014).
Conclusão
Alice Caymmi, com seu álbum Caymmi, consegue celebrar a obra de seu avô de maneira contemporânea, refletindo um universo criativo coeso que valoriza a tradição sem deixar de lado a inovação. Para aqueles que precisam de serviços relacionados a música, entre em contato agora mesmo com nossa equipe contato!
Fonte: https://musicainstantanea.com.br

Leonardo Menezes é engenheiro civil, músico registrado em associação de músicos, produtor musical e fundador do Music Bowl Idea. Com experiência em arranjos, mixagem e soluções digitais, atua com foco em artistas independentes. Une técnica, sensibilidade e inovação para transformar ideias musicais em projetos acessíveis e profissionais.
