O quarto e mais recente álbum de estúdio de Ítallo França, ‘Catatau’ (2026, Esfera / Loco Records), é uma obra que explora as nuances de atravessar a cidade e ser impactado por ela. Longe da atmosfera contemplativa que caracterizava seu trabalho anterior, ‘Tarde no Walkiria’ (2023), Ítallo, em parceria com o coprodutor e músico Paulo Novaes, apresenta um projeto que reflete um caráter exploratório e inquieto.
A Nova Abordagem Musical de Ítallo
A voz que antes entoava canções de amor e versos de fragilidade emocional agora se aventura em meio a paisagens urbanas e experiências moldadas pelo caos cotidiano. Um exemplo claro disso é ‘Pelé Dotô’, um samba inspirado nas memórias de um vendedor de picolé da infância do artista. Com versos que evocam o estilo de Chico Buarque e Rodrigo Campos, Ítallo entrega uma composição que mistura ritmo e contrastes sociais, reforçando o caráter político do repertório do disco.
A Tensão Social em 'Catatau'
Mesmo ao revisitar memórias da infância, há sempre uma tensão social que interrompe a leveza aparente do disco. A canção ‘Nina do Avon’, por exemplo, inicia com um trecho do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva de 2002 e navega por recordações pessoais, rupturas políticas e eventos aleatórios do Brasil no início do século XXI.
Emoções e Politização nas Faixas
O caráter político do álbum não prejudica a entrega emocional das faixas. Em ‘Tire Uma Hora Pra Lembrar De Mim’, Ítallo aborda a manutenção do amor com um toque de fragilidade, enquanto em ‘Dorinana’, o desejo se sobressai. “Pois toda boca é a metade / De um beijo, vontade / De querer demais”, entoa o artista alagoano.
Beleza no Cotidiano
Assim como em seu trabalho anterior, o grande atrativo de ‘Catatau’ reside na habilidade de Ítallo em transformar cenas simples do cotidiano em canções preciosas. Desde a declaração de afeto pela sobrinha em ‘Alô Alô, Lolô’ até as reflexões metalinguísticas sobre a escrita em ‘Janeiro’, colaboração com Tori, o cantor encontra beleza no banal, surpreendendo o ouvinte a cada verso.
Sonoridade e Colaborações
Embora o álbum não seja excessivamente transgressor do ponto de vista instrumental e faça referências à obra de veteranos como João Donato, principalmente na utilização de teclados, ‘Catatau’ é um daqueles álbuns que cativam facilmente. Com a participação de artistas como Domenico Lancellotti, Marina Nemésio e Zé Ibarra, o disco aponta para diversas direções, mantendo sempre o controle e destacando a força da poesia de Ítallo.
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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

Leonardo Menezes é engenheiro civil, músico registrado em associação de músicos, produtor musical e fundador do Music Bowl Idea. Com experiência em arranjos, mixagem e soluções digitais, atua com foco em artistas independentes. Une técnica, sensibilidade e inovação para transformar ideias musicais em projetos acessíveis e profissionais.

