Superbloom (2026, EMI) talvez seja incapaz de causar a mesma sensação de impacto sentida há seis anos, quando Jessie Ware revelou What’s Your Pleasure? (2020), mas isso não faz do trabalho um álbum menos interessante. Assim como em That! Feels Good! (2023), a artista inglesa continua a se aventurar pelas pistas em uma obra que é sim nostálgica e estruturalmente formulaica, porém marcada pelo completo requinte.
Colaboração e Temática
Mais uma vez acompanhada de James Ford, Stuart Price, Barney Lister e outros produtores importantes da cena inglesa, Ware convida o ouvinte a dançar enquanto confessa sentimentos de forma leve e libertadora. A própria escolha de I Could Get Used To This como música de abertura reforça isso, celebrando a possibilidade de viver fantasias, amar e criar conexões afetivas verdadeiras.
Trajetória e Inclusividade
É como uma manifestação poética da própria trajetória de Ware nos últimos anos, artista que saiu de um nicho para ser abraçada por uma parcela ainda maior de ouvintes, principalmente mulheres e membros da comunidade LGBTQIAPN+. Não por acaso, Superbloom chega repleto de acenos para as pistas de dança, espaço que historicamente serviu para acolher e celebrar indivíduos marginalizados pela nossa sociedade.
Exploração Musical
Ainda que isso esteja longe de parecer uma novidade para quem acompanha a cantora em sua fase mais recente, é sempre curioso perceber a forma como Ware continua a tensionar o próprio universo criativo. Se em What’s Your Pleasure? e That! Feels Good! a britânica passeava pelos anos 1970, resgatando a essência de veteranas como Donna Summer e Diana Ross, com Superbloom a artista amplia horizontes e vai além.
Referências e Estilos
Em Ride, por exemplo, a cantora não apenas brinca com a música tema do filme Três Homens em Conflito (1966), do compositor italiano Ennio Morricone, como sustenta nos sintetizadores e na base funkeada um diálogo com o pop dos anos 1980. Já em Sauna, é a house da década de 1990 que fala mais alto, nada que prejudique composições como Don’t You Know Who I Am? e Automatic, ainda íntimas dos últimos discos.
Crítica e Conclusão
O problema é que, nessa ânsia em provar novas possibilidades, Ware estende o repertório para além do necessário, revelando uma série de canções menos impactantes, como a contida Love You For. A própria sequência de fechamento parece incapaz de igualar os minutos iniciais, proposta que faz do trabalho um disco talvez desequilibrado em relação aos antecessores, mas não menos atrativo e pronto para as pistas.
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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

Leonardo Menezes é engenheiro civil, músico registrado em associação de músicos, produtor musical e fundador do Music Bowl Idea. Com experiência em arranjos, mixagem e soluções digitais, atua com foco em artistas independentes. Une técnica, sensibilidade e inovação para transformar ideias musicais em projetos acessíveis e profissionais.

