Crítica do Álbum ‘Highway To Heavenly’ do Heavenly

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Importante nome do movimento twee pop na década de 1990, o Heavenly se viu forçado a encerrar suas atividades quando, em meados de 1996, o baterista Mathew Fletcher cometeu suicídio. Encabeçado pela irmã do músico, a vocalista e guitarrista Amelia Fletcher, o projeto britânico até tentou seguir com outro nome, Marine Research, contudo, antes mesmo da virada para os anos 2000, o grupo acabou dissolvido.

O Retorno do Heavenly

Agora, três décadas após o último trabalho de estúdio, Amelia e seus companheiros de banda, os músicos Ian Button, Peter Momtchiloff, Robert Pursey e Cathy Rogers, estão de volta com um novo álbum de inéditas, Highway To Heavenly (2026, Skep Wax). Impulsionado pela redescoberta do projeto em diferentes redes sociais, o registro é tanto um recomeço como uma extensão natural do som explorado na década de 1990.

Temas e Sonoridade

Enquanto os versos tratam sobre sentimentos conflitantes, traumas e luto, melodias cantaroláveis, sempre contrastantes, levam o trabalho para outra direção. São canções que enfatizam a profundidade emocional e a habilidade instrumental que sempre estiveram por trás da aparência “fofa” da banda. Um claro exercício de amadurecimento sonoro e lírico, mas que em nenhum momento reduz o aspecto gracioso do quinteto.

Colaboração e Criatividade

Parte desse resultado vem da própria relação entre Fletcher e Pursey que, mesmo após o encerramento do Heavenly, continuaram a colaborar criativamente, fundando há cinco anos o selo Skep Wax. E essa sinergia pode ser percebida do início ao fim do trabalho. Seja pela escolha dos timbres ou o detalhamento aplicado aos vocais, cada mínimo fragmento parece cuidadosamente pensado para o desenvolvimento do registro.

A Evolução Musical

Não se trata de algo exatamente novo, afinal, muitos desses elementos podem ser encontrados em toda a sequência de trabalhos espalhados pela banda na década de 1990. A diferença está na maior atenção aos detalhes e versos que, mesmo pegajosos, detalham a sobriedade dos temas. Canções como Scene Stealing, Deflicted e Excuse Me vão de cenas simples do cotidiano a conflitos emocionais e crises existenciais.

Conclusão

“Aguente firme, não há ninguém mais para culpar”, alerta Fletcher na introdutória Scene Stealing, música que sintetiza parte dessa lucidez que move o trabalho. É como se o Heavenly retomasse a própria história exatamente de onde havia parado, lapidando fórmulas que já dominava sem qualquer pressa de reinventá-las. Naturalmente, falta risco em alguns momentos, mas a precisão melódica e o olhar maduro para temas delicados sustentam um retorno que encontra força e amplia horizontes justamente nessa familiaridade.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br

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